Por ocasião dos 400 anos de fundação da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a Santa Sé concedeu a Indulgência Plenária a todos os fiéis que, no dia 16 de julho, Solenidade de Nossa Senhora do Carmo, participaram das celebrações. Neste mesmo dia, a Comunidade Sementes do Verbo viveu uma dupla ação de graças: celebrou o seu 22.º aniversário de fundação e a Ordenação Diaconal do Irmão Estêvão.

A Missa solene foi presidida por Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo Emérito de Belém e Bispo Garante da Comunidade Sementes do Verbo. A celebração contou com a presença de Dom Júlio Endi Akamine, Arcebispo de Belém, de padres e diáconos da Arquidiocese, dos fundadores, Diácono Georges e Marie-Josette Bonneval, da Moderadora Geral, Irmã Maria Sarah, dos membros da Comunidade de Vida e de Aliança, além de familiares e amigos.

A vocação: um dom recebido de Deus

Tamanha é a certeza que brota em meu coração acerca da eleição e do chamado de Deus para a minha vida. A vocação da qual hoje dou testemunho é fruto de uma profunda experiência de amor com Nosso Senhor; é o transbordamento de tudo aquilo que Ele realizou em minha história.

Aprendi, ao longo dessa caminhada, que a vocação não se escolhe, mas se recebe, pois ela é um dom, e todo dom é expressão da gratuidade de Deus.

Nestes dias em que me preparava para este grande momento, recordava-me do dia em que deixei minha casa para viver a aventura da escola do Ano Sabático na Comunidade Sementes do Verbo, era 16 de março de 2015, eu tinha 22 anos de idade. Foi necessário que eu fosse conduzido ao “deserto”, assim como o povo da Antiga Aliança, para escutar aquilo que o Senhor desejava dizer ao meu coração.

Certamente uma das cenas mais marcantes na vida de quem decide seguir o Senhor é o momento da partida da casa familiar. Aqueles que permanecem em casa não conseguem entender uma decisão tão radical. Para aquele que foi chamado, porém, resta acolher de coração e obedecer à voz do Mestre. Trata-se de uma decisão que ultrapassa a razão humana, porque nasce de uma iniciativa genuinamente divina. Como respondeu São Pedro: Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna.” (Jo 6,68)

Quando Deus chama, Ele também cuida. Jamais deixa faltar aquilo que necessitamos para realizar a sua vontade. Ao longo dessa caminhada, mesmo nos momentos em que tudo parecia escuro, sua mão sempre me sustentou e nunca permitiu que eu me desviasse do alvo. Sua fidelidade foi a força que me manteve firme, renovando em meu coração a certeza de que Aquele que chama também conduz, sustenta e leva à plenitude a obra que começou.

Nenhuma vocação se vive sozinha. Deus se serve de muitas pessoas para confirmar, sustentar e conduzir aqueles que chama. Por isso, desejo manifestar a minha gratidão a todos que foram instrumentos da graça de Deus em minha vocação.

A Dom Júlio, bispo da arquidiocese de Belém, agradeço por me acolher e confirmar a minha vocação, possibilitando que este momento tão especial se concretizasse.

A Dom Alberto, pela sua solicitude paterna. Ao longo destes oito anos, o senhor me acompanhou com muita paciência, mostrando-me, de forma serena, mas também firme, tudo o que Deus tinha reservado para mim. Obrigado pela confiança, pelos conselhos e pelas muitas conversas. Com o senhor, aprendi a amar a Igreja e todos os tesouros que ela nos oferece. Quero imitar o seu exemplo, sendo fiel e fecundo.

Aos meus pais fundadores, diácono Georges e Marie-Josett, vocês foram a resposta de Deus para mim. A fecundidade espiritual de vocês me alcançou. Também quero imitar o vosso exemplo: ser fiel a Cristo e ao carisma SdV.

À irmã Maria Sarah, obrigado por não medir esforços para salvar as vocações. Sempre nos ensinou que quem ama não calcula.

Agradeço aos formadores do Seminário Dom Vicente Zico, que acompanharam com zelo o meu processo formativo. Em especial, os formadores do Seminário, que, com muita diligência, acompanharam e continuam acompanhando o meu processo formativo: os meus confessores; ao Pe. João Gabriel, nossoreitor, por me acompanhar de perto neste processo; e, de modo especial, à Ir. Terezinha e à Ir. Catarina, pela maternidade espiritual no nosso seminário.

À minha família, aqui presente, de modo especial à minha mãe, Célia, e à minha irmã, Cristiane. Sei que, em muitos momentos, vocês se perguntaram o que eu estava fazendo da minha vida. Quero agradecer especialmente a vocês duas, pois, em nenhum momento, me senti desamparado quando decidi seguir o chamado do Senhor.

É por vocês, minha família, que também hoje me sacrifico!

Aos meus irmãos da comunidade, espalhados pelo Brasil e pelo mundo, sei que, nestes dias, vocês rezaram muito por mim. Recebi inúmeras mensagens de carinho e oração, e isso me recorda a missão que Deus nos confiou: oferecer ao outro o que temos de mais precioso, a nossa proximidade e a nossa oração. Muito obrigado por caminharem comigo. Continuem firmes onde quer que vocês estejam.

Agradeço, de modo especial, aos missionários das Casas Monte Tabor, ao Convento do Carmo e às irmãs da Residência Episcopal, que, com espírito de serviço, viveram dias de dedicação e oferta para que tudo estivesse preparado para este grande momento.

Dirijo-me agora aos meus irmãos do Seminário Dom Vicente Zico. Quantos sacrifícios vivenciamos! Digo a vocês que só consegui chegar até aqui porque os sacrifícios diários foram partilhados. Sozinho, eu não teria ido muito longe. Mas as alegrias foram ainda maiores, com certeza: as missões, as orações partilhadas e a convivência fraterna. Vocês sabem o quanto amo estar com vocês. São mais do que irmãos; são amigos. Que Deus conserve na graça a nossa fraternidade.

Aos meus irmãos do quarto ano de Teologia, alguns presentes e outros acompanhando esta transmissão, muito obrigado pela amizade sincera. Quero dizer-lhes que acredito na vocação de cada um de vocês e espero encontrá-los no presbitério. Mas recordo que a caminhada ainda não terminou: temos mais um semestre. Como dizia Aristóteles: “Estudar pode ser amargo, mas seus frutos são doces.”

Também agradeço a presença de tantos amigos aqui e dos que acompanham a transmissão. Vocês também foram a minha força e a minha alegria.

Por fim, este grande momento só pôde acontecer porque muitas pessoas, de forma discreta e generosa, rezaram e se dedicaram para que ele se tornasse realidade. Aos padrinhos e benfeitores que contribuíram para a realização deste dia, minha sincera gratidão. Que Deus lhes recompense em dobro por toda a generosidade e pelo bem que fizeram.

Queridos irmãos e irmãs, “Maravilhas fez conosco o Senhor”. Sim, santo é o Seu Nome! É Ele quem dá toda a capacidade para podermos exercer a missão que deseja nos confiar:

“Santificar o povo na verdade! E Cristo é a Verdade!






















Diácono Estêvão
16 de julho de 2026
Ação de graças pela Ordenação Diaconal
e pelo 22.º aniversário da Comunidade Sementes do Verbo.

Trecho da homilia de Dom Alberto:

Fiquei pensando por que você escolheu essa frase como lema da sua ordenação. Pareceu-me entrever essa inquietação, essa paixão, essa busca da verdade. Você descobriu, com todo o caminho percorrido na Comunidade Sementes do Verbo, um caminho que é árduo, exigente, que pede paciência, persistência e coragem, a partir da experiência quotidiana da Palavra de Deus.

O que eu lhe desejo é isto: a Palavra de Deus é a verdade. “Santifica-os na verdade.” Peço a Deus que você seja santificado na verdade e, como diácono, você terá como missão a Palavra: proclamar o Evangelho, pregá-la, levá-la aos outros. Apaixone-se cada vez mais pela evangelização.

Como diácono, você deverá trazer essa estola na frente do seu peito para não esquecer que você foi feito servidor; não se esquecer das suas origens, da simplicidade, da pobreza. Apaixone-se pela verdade, que é a caridade!

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