O Convento de Santa Helena do Monte Calvário, em Évora, assinalou, no dia 1 de outubro, o segundo aniversário da Adoração Perpétua, com uma Eucaristia de Ação de Graças e um jantar de confraternização.

 

A celebração eucarística foi presidida pelo Padre Mário Tavares e contou com a participação de amigos e adoradores do Calvário, que se reuniram para celebrar os dois anos de oração contínua diante do Santíssimo Sacramento.

A Adoração Perpétua teve início a 1 de outubro de 2024, no âmbito da missão assumida pela Comunidade Católica Sementes do Verbo no Convento de Santa Helena do Monte Calvário. A Missa de fundação da missão e de início da Adoração Perpétua foi presidida por Dom Francisco Senra Coelho, então Arcebispo de Évora.

Após a Eucaristia comemorativa, os participantes reuniram-se num jantar de Ação de Graças, num momento de convívio e partilha, que marcou o encerramento das celebrações.

Ao longo destes dois anos, a Adoração Perpétua tem sido o centro da missão da Comunidade Sementes do Verbo no Convento, promovendo a oração, a intercessão e o acolhimento de todos os que procuram um espaço de encontro com Deus.

TESTEMUNHOS

LEANDRO, 28 ANOS

MADALENA, 20 ANOS

Olá, chamo-me Leandro, tenho 27 anos e sou seminarista de Évora.No seminário, sempre se valorizou muito a liturgia e a adoração como espaços privilegiados de encontro com o Senhor e de discernimento. Isso ajudou-me muito nos momentos de crise. Portanto, já algum tempo que tinha este hábito, que era semanal.Certo dia, a Maria contactou-me, perguntando se gostaria de integrar um grupo de Jovens Adoradores, que na altura contava apenas com quatro membros. Vi nesse convite uma oportunidade clara de crescimento espiritual, mas também de evangelização silenciosa.Confesso que, no ritmo do dia a dia, nem sempre é fácil manter um tempo de oração regular, uma oração que seja um diálogo e um encontro.
No entanto, o compromisso de ter uma hora marcada diariamente com Jesus ajudou-me a criar esse espaço de silêncio, de escuta e de intimidade. Nas primeiras semanas, manter o silêncio interior era um verdadeiro desafio. Não estava habituado e o tempo demorava a passar. Mas, à medida que me deixava estar, saía da capela com o coração leve e sereno. Sentia-me verdadeiramente descansado, como se Jesus repetisse ao meu coração: «Vinde a mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei» (Mt 11,28).Com o passar do tempo, a adoração tornou-se parte da minha vida.
Contudo, devido aos ritmos próprios da etapa final do seminário e dos compromissos pastorais, tornou-se difícil manter essa hora fixa. Senti, nos primeiros dias, uma grande falta daquele momento. Mas essa ausência acabou por ser pedagógica: levou-me a buscar formas de consolidar o meu ritmo de oração pessoal, no contexto onde estou, adaptando-o.Outro elemento que me ajudou muito nesta caminhada foi o Compêndio de Lectio Divina. Este instrumento revelou-se precioso para me familiarizar com a Palavra de Deus e para me orientar na concretização do meu projeto de vida, à luz da vontade do Senhor. A Palavra, rezada e meditada, tornou-se alimento, bússola, descanso e encontro.
A Adoração Eucarística ensinou-me que não é preciso dizer muito, basta estar. Estar diante d’Aquele que nos ama, que nos escuta, que nos transforma no silêncio. E esse silêncio, tantas vezes inquieto no início, tornou-se presença. Uma presença que fortalece, que dá sentido e que envia.Uma das maiores graças que vivi foi ver jovens com pouca experiência eclesial a aproximarem-se. Muitos começaram nos escuteiros ou Convívios Fraternos, mas sentiram sede de algo mais profundo e aceitaram integrar este grupo.
Com o tempo começaram a comprometer-se com a Missa dominical, alguns até diária, e com paróquias, departamentos da pastoral e movimentos. Começando a levar a vida de fé mais a sério. Este testemunho bonito acabou por trazer outros jovens. Isto é uma renovação da Igreja.Peço ao Senhor que continue a suscitar nestes jovens o desejo de levarem a Boa Nova a todos os homens, sobretudo pelas suas vidas. Imploro ao Senhor que estes jovens «espalhem o perfume do Evangelho» e que a partir deste encontro com o Senhor possa, também, surgir uma Primavera Vocacional e que surja uma «civilização do amor».

Olá! Eu sou a Madalena, tenho 19 anos e sou nascida e criada em Évora. Neste testemunho quero partilhar convosco a Graça que é a Adoração ao Santíssimo no meu curto percurso no Dom da vida.Tudo isto começa em outubro de 2024 quando a minha querida amiga Maria me liga com uma ideia maluca das dela a informar que iria adicionar-me num grupo do Whatsapp dos “Jovens Oradores”, uma iniciativa de adoração nova na cidade e porque confio nela, aceitei quase automaticamente. No entanto eu estava um pouco confusa na minha relação com Deus e comigo mesma e só em janeiro deste ano, depois da Maria se esforçar muito, é que fui pela primeira vez à Adoração e nunca mais me vou esquecer daquilo que senti na primeira vez.
Daí para a frente só para trás como é costume dizer-se. A minha vida deu uma volta, mudou completamente e podem pensar que isso significa que tive um momento de clareza e todos os meus problemas se resolveram, mas na verdade foi exatamente o contrário. A minha vida virou-se do avesso, todos os meus planos desmoronaram e agora tudo me provoca dúvida. Contrariamente ao que eu esperava, isto tem me feito sentir cada vez mais próxima de Deus, aprendi que Ele está sempre comigo especialmente nestes momentos de crise e por isso hoje digo cheia de alegria que foi aqui que Ele me resgatou e me salva a cada dia.
Aqui providenciou um grupo de jovens que aos olhos da nossa sociedade são jovens loucos que se sentem chamados a adorá-Lo, mas que para mim se têm mostrado ser verdadeiros amigos em Cristo e são bênçãos na minha caminhada. Outra bênção que o Senhor me oferece são os Irmãos da Comunidade Sementes do Verbo que se revelaram ser uma fonte de verdadeira alegria no serviço a Deus e ao próximo. Por isto peço ao Senhor para que todos os jovens possam viver aquilo que estou a viver e para que possam experimentar a alegria em Cristo.Por fim gostava de descrever a forma como vivo estes momentos de adoração, será difícil de explicar pois há coisas que se sentem e as palavras não são suficientes para transcrever sentimentos, mas vou prosseguir e tentar.
Já tinha descoberto que o Dom que Deus me deu foi a minha voz e na Adoração tenho experimentado o que é pô-lo ao serviço dos outros e do louvor. Posso estar sozinha ou acompanhada, mas se o Senhor me convida a cantar eu não o nego o que Ele me pede e é sempre maravilhoso soe como soar, independentemente do cântico.

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